Lá vai a mulher rendeira, a mulher faceira

De cesta na mão, lata d’água na cabeça.

Lá vai a mulher que canta, que encanta

Em seus passos varonis, em busca de

Deus. E o faz na textura do filho!

 

Que chora, que ri, que sorri na noite

No conforto que oferece, no leite, nas

Mãos que acolhem, no pulsar do coração

Que não se cansa de dizer:

– Filho – Como te amo!

 

Pela manhã, todos despertam.

Talvez ela nem tenha dormido.

O gemido da criança a manteve

Desperta. É necessário vigiar.

O amar é assim: não dorme, nunca abandona.

 

Passos firmes, olhar penetrante

Olha o pequeno, a pequena que

Se apronta para a vida. E, depois

De crescidos, ela liga, nunca desliga.

Sempre pergunta, indaga, busca:

– Filho, filha, como você está?

Quando a filha se torna mãe

Eis que a mãe se torna de

Novo mãe, no eterno volteio

Do amor. Agora, amor renovado.

 

Oh Deus, como foi criar figura tão singular?

Saiu dos vossos olhos, faces, mãos, coração?

Ah se Deus tivesse essas coisas, com certeza

Criaria um local apenas para criar as mães.

 

Parabéns a vocês que são mães.

Sou pai, porém me curvo. Meus filhos

São de vocês e, ocasionalmente de mim.

Quem sabe não sou também um filho

Do seu imenso coração?

 

Mãe que encanta que balança nos braços

A vida. Que doa a vida, que cuida enquanto

A vida aguarda outro ser, outra proposta,

Outra renovação. Mãe!

 

 

Guaraci de Lima Silveira