(Por Ricardo Gembarowski)

 

Allan Kardec, na questão 718 de O Livro dos Espíritos, pergunta se a lei de conservação obriga o homem a prover às necessidades do corpo. De fato, somos Espíritos imortais que, por sua vez, utilizamos do corpo físico como um instrumento de evolução, atribuindo-nos a responsabilidade para com o mesmo.

 

Antes de reencarnarmos, conforme explica a doutrina espírita, os benfeitores espirituais realizam o nosso planejamento reencarnatório onde são definidas as nossas provas e as nossas eventuais expiações que farão parte da próxima jornada, levando-se, claro, em consideração que estamos reencarnando em um planeta desta natureza, que é a Terra. Quem serão nossos pais, aonde iremos reencarnar, sob quais condições, qual o sexo e por aí vai…fazem parte de um rol de itens constante no planejamento.

 

André Luiz na obra “Missionários da Luz”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, relata junto ao instrutor espiritual os detalhes do processo para se escolher qual o espermatozoide que irá fecundar o óvulo, dentre milhares, aquele que possui o material genético necessário para compor o corpo físico, o qual servirá de asilo ao Espírito, aquele corpo ideal para que as provas e as expiações pré-definidas sejam cumpridas.

 

Percebem a riqueza de informações que a doutrina nos traz a respeito da formação deste veículo físico e a nossa responsabilidade para com o mesmo?

 

Portanto, caros leitores, devemos agradecer por este corpo e cuidar muito bem dele, é o melhor modelo projetado até então! Devemos higienizá-lo da maneira correta, alimentá-lo da forma mais saudável possível e, porque não, emaná-lo pensamentos e sentimentos mais salutares possíveis. Se ainda não procedemos desta forma, não nos culpemos e lembremos sempre que somos ainda Espíritos falíveis e imperfeitos, mas que sempre podemos trilhar um novo caminho a ser seguido.

 

Preciso chamar atenção aqui com  relação a dois aspectos.

 

No que diz respeito à alimentação, não podemos deixar de comentar aqui a resposta dada pelos Espíritos à Kardec na questão 723 de O Livro dos Espíritos onde ele pergunta se a alimentação animal é contrária à lei da natureza: “na vossa constituição física, a carne alimenta a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele deve alimentar-se, portanto, conforme o exija o seu organismo”. Portanto, para esta matéria ainda grosseira que é o corpo físico, ainda precisamos nos alimentar da carne, como respondeu certa vez Chico Xavier que, por sua vez, fazia uso deste alimento, acrescentando ainda que não devemos exagerar mas nos alimentar o suficiente.

 

Muitas pessoas que aboliram a carne e se tornaram veganas ou vegetarianas fizeram isso por uma opção particular e não por uma imposição doutrinária. Chegará um dia em que o homem, em geral, cederá lugar a este tipo de alimentação, em que proteínas e outros nutrientes que atualmente são encontrados no animal serão vistos em outros alimentos. A própria constituição física do homem será alterada, mas por ora, ainda necessitamos da carne e, para mudar, precisamos de orientação médica para realizarmos este processo de forma gradual.

 

Cuidado apenas ao ouvirmos por aí que o Espírita deve ser vegano ou vegetariano. Não é verdade, conforme explicado por Kardec. Porém, existem algumas atividades de ordem mediúnica em que a orientação é se abster de carne vermelha, por exemplo, durante certa antecedência. Perceberam a diferença?

 

O mérito hoje está na renovação interior da alma, e foi a doutrina dos Espíritos a mais avançada filosofia neste sentido. Pensemos nisso! Como andam nossos pensamentos e sentimentos? Nossos corpos são formados de 70% de água e já está comprovada a influência dos pensamentos no nosso corpo, provocando determinadas doenças.

 

Jesus já dizia que o mais importante não é o que entra pela boca e sim o que sai dela, o que emanamos do nosso coração. Prestemos muita atenção nisso, nos observando mais, realizando o autoconhecimento que Santo Agostinho já havia nos ensinado na pergunta 919a de O Livro dos Espíritos.

 

“Fustigai o vosso espírito e não o vosso corpo; mortificai o vosso orgulho; sufocai o vosso egoísmo, que se assemelha a uma serpente a vos roer o coração, e fareis muito mais pelo vosso adiantamento do que vos inflingindo rigores que já não são deste século” (resposta dada pelos Espíritos na pergunta 727).

 

Muita Paz!